5 dicas para bandas independentes

Li um artigo interessante no Whiplash falando sobre “o futuro do rock nacional” e algumas ideias me vieram à mente. Durante alguns anos vivi por dentro a cena rock independente do Rio de Janeiro como músico, principalmente, e tive a oportunidade de perceber algumas práticas e comportamentos de bandas e produtores.

Fui vocalista de uma banda chamada Nandsfer, de 2005-2007 e 2009-2011. Compusemos aproximadamente 10 canções nesse período, tocamos em diversos eventos independentes de pequeno porte e começamos a ganhar alguma notoriedade (o conceito é relativo, eu sei. Considero isso porque comecei a ver outras pessoas que não amigos e familiares cantando nossas músicas. É pouco, mas toda banda passa por esse processo antes de tocar numa rádio) em 2011, depois de passar o ano anterior com uma média de 1 show por mês.

Dois modelos distintos de eventos independentes

avarentoUm modelo que encontramos na época (confesso não saber se ainda rola) era o de venda de ingressos. Você pagava R$200,00 ao produtor para participar do evento e recebia 20 convites com preço estabelecido em R$10,00. Se você vendesse seus 10 ingressos, você recuperava a grana; se não, ficava com o prejuízo. Esse é um modelo que só privilegia o produtor, pois joga todo o risco financeiro para a banda. É preciso que se pensem modelos de risco compartilhado. Afinal, produtores e bandas estão no mesmo barco.

Em 2010, participamos de vários eventos realizados pela TDG Produções que utilizava um modelo bem mais interessante. Eles promoviam concursos pequenos, de uma noite, com 5 bandas se apresentando 20 min. Ao fim das apresentações, os presentes votavam na sua favorita e a banda vencedora levava parte da bilheteria da noite. Para participar, a banda não tinha que pagar nada, mas também recebia convites para vender. Essa relação da banda com a venda dos ingressos muda, pois não o fazem para evitar um prejuízo, mas sim para vencer a competição através do público. E no fim, ainda levam uma grana pra ajudar nas despesas. Ter uma banda é um sonho caro, normalmente paga-se mais do que se ganha (quando ganha).

O outro lado da moeda

Em 2012, depois de ter encerrado as atividades com a Nandsfer no ano anterior, recebi o convite do Gustavo Sanna, sócio-fundador da TDG, para dirigir a comunicação e o marketing da 3ª edição do FBI - Festival de Bandas Independentes, e aí tive a oportunidade de conhecer o outro lado da moeda. Não vi nada muito diferente do que já tinha conhecido, mas os desafios eram outros. Vou te falar: dá muito trabalho organizar um evento bacana, por mais simples que seja. E muitas bandas ainda tem a insensibilidade de agir com grosseria ou estupidez quando algum imprevisto ou falha acontece na produção ou no som. Quem nunca tocou uma guitarra com uma cordinha desafinada que atire a primeira pedra. Volto a repetir: vocês estão no mesmo barco. Mais parceria e cumplicidade não vai fazer mal a ninguém.

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Nesses eventos conheci muita gente bacana, fiz amizades com outras bandas, mas vi também muitas com um comportamento bem individualista, o que era/é uma grande bobagem. Partilhamos dos mesmos sonhos e desafios, por que tanta dificuldade em olhar para o lado e somar forças com aquele que é igual a você? Parece que o fato de se inspirar em bandas internacionais e rockstars de histórias excêntricas, alguns músicos acham que devem imitar todas as suas - desculpem o termo - babaquices. Depois de você ganhar milhões e milhões com shows e venda de discos você pode fazer a maluquice que quiser, mas até lá, mais humildade.

5 dicas para a cena

Bom, com base nessas experiências que vivi como músico e produtor, hoje como observador (não participo mais ativamente na cena, infelizmente) e profissional de marketing, proponho as seguintes dicas:

1. Façam parcerias legítimas e amizade com outras bandas

maxresdefaultOuvi por aí que foi assim que o sertanejo chegou onde chegou hoje. Ninguém vai botar dinheiro em alguma coisa só por amor. Vide o caso Unimed/Fluminense. É preciso retorno, e o sertanejo mostrou que poderiam dar retorno para as gravadoras e produtores através de seus artistas. O rock pode também, mas é preciso que as bandas que hoje participam na cena somem forças. Quando participar de eventos, interaja com as outras bandas, troque experiências, escute de verdade a música do outro, por mais precária que seja a gravação, façam vídeos juntos, toquem uns as músicas dos outros, troquem público, apresente pro seu público o trabalho de uma banda amiga. Isso dá certo. Foi assim que o sertanejo conquistou notoriedade, é assim que blogs e páginas do Facebook crescem e é assim que o rock pode voltar a crescer no nosso país. Mercado tem.

2. Não espere oportunidades; crie-as!

5dicas rock oportunidadeEstamos em uma época restrita pro rock, mas as coisas estão mudando. O Superstar é um programa em TV aberta que dá espaço igual ao rock, ao sertanejo, ao pagode, ao forró, à MPB, ao rap e a qualquer gênero que o faça com competência. E o rock venceu a primeira edição. Mas estamos em uma transição, ainda não teremos rock tocando nas esquinas da cidade, especialmente no Rio. Portanto, não espere oportunidade; crie-as! Siga a dica anterior e chame suas bandas amigas, façam um evento na casa de alguém, em praça pública, no metrô, pela web. Artistas de alto gabarito lá fora fazem isso, por que que não copiamos isso também? Mostrar o seu trabalho, seu estilo, sua filosofia é a melhor forma de fazer aparecer novas oportunidades.

3. Tenha identidade e personalidade, mesmo tocando cover

5dicas slashTodo moleque começa a tocar rock inspirado em alguém, isso é mais que natural. É uma relação muito intensa de admiração, de inspiração ou mesmo de querer ser como o ídolo. Isso é muito bom mas pode ser também uma armadilha. Muitas vezes por gosto ou por querer agradar o público com músicas conhecidas, os repertório de bandas iniciantes ficam repletos de músicas de outros artistas consagrados. Não vejo um problema nisso, mas se você deseja notabilizar sua banda, fuja de execuções que tentam ser como as originais. A comparação é inevitável e, acredite, você nunca conseguirá tocar como o original. Não por incompetência, mas porque você é você e o artista original é o artista original e a comparação será inevitável. Deixe sua marca, fuja de comparações óbvias, como essa dos covers. Invista em uma identidade sonora, através dos arranjos, dos timbres e dos andamentos de suas músicas ou de suas versões. Faça de uma música conhecida uma música nova. Você ficará feliz por tocar a música do seu ídolo, vai agradar quem também gosta do seu ídolo e o melhor: você vai surpreender o público com uma marca única de uma música já conhecida, que já possui um vínculo emocional com os ouvintes. Aí você entra no meio e bingo!

Dito isto, não preciso nem acrescentar que a mesma identidade sonora aplicada ao cover deve ser aplicada em suas composições, né? Na verdade, a identidade impressa nos covers deve ser uma extensão daquela que você utiliza em suas músicas. Procure também uma identidade visual para banda, de figurino, de comunicação visual, logotipo, banners, redes sociais, etc. Sua banda é uma marca e tudo o que diz respeito a ela deve receber atenção.

4. Deixe de ser cri-cri

5dicas dick vigaristaNas minhas andanças pela cena real e virtual (= Facebook) vi, e vejo, muita gente que gosta de ser cri-cri (é bem possível que apareça algum nesse post, inclusive). Critica tudo o que vê, sejam trabalhos de outras bandas, sejam eventos independentes, seja que o rock não tem espaço, seja que banda de rock que faz sucesso se prostituiu ou só o faz porque faz um estilo romântico que parece sertanejo. Cara, tem espaço pra todo mundo, ninguém faz sucesso sem ter algo de bom. E se ainda assim não tem nada de bom e fez sucesso, quero ver se manter. Ocupe seu tempo com coisas úteis, seja pra cena ou pra sua vida. Se algum evento tem problemas, talvez ele esteja precisando da sua contribuição, sua ajuda ou opinião. E isso não se faz sendo cri-cri, mas se envolvendo, demonstrando uma vontade legítima de ajudar. É disso que nossa cena rock precisa.

5. Se você quer tirar seu sustento da música, trate-a com respeito

5dicas respeitoSou publicitário, tenho uma pequena agência de comunicação e marketing digital e trabalho na minha área dentro de uma indústria farmacêutica. Eu precisei estudar pra conseguir, minimamente, um trabalho. Concluí meu Ensino Médio, fiz faculdade, fiz uma pós e não penso em parar por aí. Se é do meu trabalho que tiro meu sustento, não posso parar de aprender e estudar para obter sucesso na minha carreira. Quando você se preocupa com isso, você está não apenas cuidando da sua carreira, mas está demonstrando respeito à atividade que você se propôs a fazer. O mesmo acontece na música. Não é porque ela é um hobbie também que você vai levar “nas coxas”. A melhor coisa do mundo é você poder trabalhar com uma coisa que você sente prazer, mas tudo tem um preço. E pra ser músico é preciso estudar também.

E aí, o que achou dessas 5 dicas? Tem mais alguma que gostaria de acrescentar? Deixe a sua aqui em baixo nos comentários!

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Tags: música, dicas, rock, cena independente