Eu quero é rock, bebê!

Hoje tivemos a final do Superstar e eu comecei a escrever esse post antes de saber o resultado. Isso porque saber qual banda seria vencedora é mero detalhe diante do que pude perceber no cenário da música brasileira.

Por muito tempo temos reclamado que faltam artistas de qualidade na cena musical. Temos visto um número crescente de sertanejos, todos mais ou menos saídos da mesma fôrma, com letras repletas tchu, tche, tcha, derê, dará, rebolados e clichês melodramáticos. Eis então que vemos a segunda edição de um programa musical exibido em rede nacional, na maior emissora de TV do país, e, pela segunda vez consecutiva, dos quatro finalistas, dois eram bandas de rock. Em 2014, vencemos. Em 2015 (na escrita deste parágrafo o vencedor deste ano acabava de ser conhecido), o rock ficou em segundo, com louvor. Em nenhuma das edições houve um cantor, grupo de ou dupla sertaneja.

Me refiro ao sertanejo como uma metáfora a gêneros que seguem uma mesma forma e não se preocupam com conteúdo. O objetivo fim é diversão, encher a cara, beijar na boca e ganhar dinheiro. Nada contra, é até bacana, mas “a gente não quer só comida, a gente quer comida, diversão e arte”. Há 3 anos entrei numa empreitada com meu camarada Gustavo Sanna, na 3ª edição do FBI – Festival de Bandas Independentes – e propus o slogan “Os poetas estão vivos”, uma referência às bandas independentes que seguem no caminho deixado por uma das maiores referências do rock nacional: Cazuza. Nos eventos, tive o privilégio de conhecer “muitos poetas” incríveis que continuam na batalha tocando em pequenas casas do Rio, fazendo arte. Outras tantas, infelizmente, ficaram pelo caminho. É muito difícil sobreviver em um cenário tão desfavorável com tão poucas oportunidades e tão pouca (ou nenhuma) grana. E isso pesa.

Rock é estilo, é moda, é vibração, é energia, é profundidade, é autenticidade, é comida, é diversão e é arte. Está mais do que provado que o brasileiro curte rock e que o gênero ainda é comercial. Precisamos de mais empresas e grandes casas de eventos com a mesma coragem que a Globo teve com o Superstar, em dar oportunidades a novos artistas e parar de apostar no “mais do mesmo”. Queremos ouvir mais rock nas rádios, mais músicas com conteúdo e criatividade, mais diversão e arte, não apenas pop internacional ou músicas que servem para chacoalhar o corpo e lobotomizar a mente. O rock merece seu espaço de volta no mainstream.

Num intervalo de um ano e seis meses aproximadamente, tivemos a oportunidade de conhecer quatro grandes bandas de rock no Superstar: Malta, Suricato, Versalle e Scalene (isso sem contar em tantas outras que representaram muito bem durante o programa). Minha torcida fica para que a TV, o rádio e grandes casas de show tenham a coragem de abrir mais espaço para essas e tantas outras bandas de rock do Brasil.

Ao Lucas e Orelha, deixo meus parabéns pela vitória no Superstar 2015. Desejo todo o sucesso que mereçam. E à Globo, o meu muito obrigado.

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